O web design está morrendo, felizmente!

O web design está morrendo, felizmente!

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  • 30 de julho de 2015

O web design pode finalmente deixar de ser relevante. Esse cataclismo se deve ao fato de que, os sites por si só não serem mais o auge da experiência do usuário na internet, por isso designers precisam passar para os próximos desafios integrando plataformas e sistemas, a fim de proporcionarem um novo diálogo e se manterem relevantes.

“O web design não tem futuro!” Uma ideia muito arriscada, eu sei, mas esse texto explica o porquê e o que nós, como designers, podemos fazer a respeito. Como uma disciplina, o web design já esgotou as suas possibilidades, e a tecnologia e as tendências culturais apontam a necessidade de uma nova abordagem.

Conheça os sintomas de seu fim eminente:

1º Sintoma: Customização de templates

Grande parte do conteúdo que você vê hoje na internet está em blogs como o wordpress, o blogger e o Drupal. Plataformas fornecem facilidades e atalhos para que se gaste mais tempo pensando no conteúdo do site, do que quebrando a cabeça tentando criá-lo.

A onipresença dessas plataformas com inúmeros templates gratuitos e pagos permite que comecemos um projeto com aparência profissional em minutos. Por que então contratar um web designer se podemos obter um design aceitável pagando bem menos? Na verdade, muitos web designers também utilizam templates prontos, fazendo modificações de acordo com a sua necessidade.

De qualquer maneira, não importa o conteúdo que você quer produzir, é muito provável que exista um template pronto que atenderá as suas necessidades.

2º Sintoma: Padrões de design de interface mais maduros

Qual a mais recente inovação do web design que você pode apontar?  Design responsivo? Parallax? A web tem tantos padrões e componentes para interfaces que talvez precisemos de um tempo (alias, Parallax, não é sempre necessário!). Muita coisa já foi criada, por isso não vemos tantas “inovações” recentemente.

Essa maturidade é boa para os usuários: eles encontrarão cada vez mais consistência quando acessarem sites no cotidiano. Muitas fórmulas se mostraram funcionais como ícones e login, e se funcionam, por que estariam erradas? Tentar ser criativo neste momento pode ser inútil, ou mesmo prejudicial.

3º Sintoma: Automação e inteligência artificial já estão fazendo o trabalho

Há uma nova tendência de serviços automatizados de web design que sem dúvida começou com “The grid”, plataforma para criar sites que utiliza padrões semânticos para tomar as decisões de design: o seu conteúdo é analisado para detectar o melhor layout, cores, fontes e imagens para o seu site. O resultado provavelmente será melhor do que um designer mediano poderia fazer.

Quando algo pode ser automatizado com êxito, isso significa que as suas práticas e normas já estão estabelecidas o suficiente para que a intervenção humana não seja necessária. Esse é obviamente o começo! Haverá uma competição feroz para oferecer mais, com menos intervenção humana.

4º Sintoma: páginas do facebook como a homepage de pequenas empresas 

No final dos anos 90, as empresas que pensavam no futuro digital compraram os seus “.com’s”, compraram planos de hospedagem caros, e contrataram um webmaster a fim de torna-las visíveis na internet. Em 2005, a criação de um site no “Blogger” ou no “Wordpress” foi mais do que o suficiente para trazer visibilidade para as marcas (de forma rápida e gratuita).

Hoje essa função foi completamente substituída pelas páginas do facebook. Elas são gratuitas e feitas para serem virais, além de oferecerem poderosas ferramentas para empresas (como “se inscrever” para receber as atualizações da página), também são tão fáceis quanto as páginas de perfil.

As paginas do facebook são tão boas em promoverem um negócio, que estão monopolização o espaço destinado aos hotsites.

5º Sintoma: Os dispositivos mobile estão matando a web 

Quantas vezes você visita um site a partir de um dispositivo móvel digitando somente o endereço? Somente quando você não tem o app, certo?  Hoje as pessoas parecem não pensar muito em páginas web, elas pensam em marcas digitais, que em sua maioria se traduzem em aplicativos ou assinaturas (likes, follows, etc). É por isso que a maioria dos grandes sites, blogs e portais estão empurrando os seus aplicativos para você: pois se estiverem longe do seu smartphone, estarão longe da sua mente!

O web móvel sempre foi lento e pesado: é estranho digitar endereços, e navegar entre as abas. E nossos dispositivos móveis com conexão de baixa velocidade não ajudam a criar uma experiência satisfatória como a que temos com o desktop. O design responsivo é essencial (não adotá-lo é suicídio digital!), mas ele só garante que um usuário possa visualizar o seu site em um dispositivo móvel.

O aumento dos serviços web e o conteúdo que você encontra 

A verdade é que precisamos de menos páginas web. Já temos muitos concorrentes pela nossa atenção que acreditam de forma egoísta que temos todo o tempo do mundo para fechar anúncios pop up, explorar hierarquias de navegação e nos deslumbrarmos com efeitos e transições.

Mas o que importa realmente não é organizar ferramentas em uma página, o importante é o conteúdo em termos de necessidade específica do usuário. É por isso que o Google está começando a exibir conteúdo de interesse dos usuários nas pesquisas sem que seja necessário visitar outra página para isso. Exemplo: Se você está usando o seu celular para procurar um restaurante e encontra um próximo, os resultados de buscas do Google incluem um botão para que você possa ligar para o restaurante sem que seja necessário visitar o seu site. O ego do designer, e as pages views podem sofrer um pouco, mas no final a experiência do usuário é melhorada.

As coisas estão se movendo na direção dos assistentes digitais como o “Siri”, e especialmente o “Google Now” com as mudanças anunciadas para Android M que tem a pretensão de fornecer a informação que você precisa, quando você precisa. Isso implica em uma mudança: de páginas web para serviços web: bits individuais de informação que podem ser combinados para se tornarem mais eficientes. Assim, se você está procurando um restaurante, obtém os comentários do Foursquare ou Yelp, as instruções do Google Maps e as condições de trafego do Waze.

Estamos transitando para um modelo tecnológico baseado no consumo de conteúdo, onde a informação certa chega mesmo que você não solicite. O “Google Now”, por exemplo, te alerta sobre o quão cedo você deve sair de casa para não perder a reunião. Tudo isso já está acontecendo graças a Apis- Interfaces que permitem que outros serviços interajam com o seus dados. Nesse novo mundo tecnológico, paginas web não são mais necessárias.

Isso não significa necessariamente que elas desaparecerão completamente, porque ainda serão uteis para certos propósitos. Só que não serão mais o foco de web designers. Elas são uma mercadoria e um meio, não mais um padrão para empresas e produtos digitais.

Páginas web são conteúdo estático que precisa ser encontrado e visitado. Mas, a situação emergente da web aponta para outro tipo de modelo: o conteúdo encontrará você, seja através de dados obtidos a partir do contexto em que vive, das atividades que você pratica e até mesmo da sua biometria; o conteúdo se apresentará de forma inteligente quando você mais precisar dele.

A grande novidade a respeito dos smartwatches (relógios inteligentes) é que eles podem obter dados a partir do seu corpo e mostrar de forma proativa pequenas informações para o seu cérebro digerir. A tecnologia web está avançando grandes passos com o intuito de sumir da sua vista.  Até onde isso nos levará?

O web design está morto, longa vida ao UX design!

Aqui vai a boa notícia: os designers estão longe de se tornarem obsoletos! Muito pelo contrário, a demanda por UX designers (designers focados na experiência do usuário) é bem alta e parece que todos estão reestruturando os seus projetos digitais ultimamente.

Essa mudança do web design para o UX design é causada diretamente pela mudança de páginas web para produtos digitais, ferramentas e sistemas. Páginas web são parte de algo muito maior: aplicativos móveis, API, mídias sociais, motores de busca, atendimento personalizado, e lugares físicos onde se possa ter contato com a marca, serviço ou produto. Dizer que você pode transmitir significados (e relevância) apenas com uma página web é ingênuo, e no pior dos casos, prejudicial.

Todos esses pontos de contato precisam ser concebidos, planejados e gerenciados. Esse é um trabalho que continuará a existir independente do canal. Nós ainda vamos precisar de experiências coesas e conteúdos relevantes, climatizadores inteligentes, dispositivos de realidade virtual, lentes de contato eletrônicas e tudo o que pudermos inventar nas próximas décadas.

Na verdade, a tecnologia é como algo transparente que fica no background, e tudo o que podemos ver são os valores que ela transmite. Os designers que querem permanecer no ramo precisam se especializar em gerenciamento de conteúdo e em mais de uma plataforma. É tempo para crescer porque temos sido parte do problema: temos ajudado a dar à luz a páginas web hipócritas, e achamos que precisam ser vistas só porque investimos algum tempo nelas. Agora, estamos imersos em ruído cognitivo e o mundo precisa mais do que nunca, de inteligência e de sistemas da informação integrados. Quanto mais cedo os designers abraçarem essa necessidade, mais rápido (e melhor) estarão preparados para o futuro. (Leia aqui o texto original em inglês.)

E você, está preparado para o futuro? Conte para gente nos comentários!

 

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Lilian Rios

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Especialista Inbound Marketing

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