O conformismo vai acabar com o seu negócio (+ Case de quem não teve medo de mudar)

O conformismo vai acabar com o seu negócio (+ Case de quem não teve medo de mudar)

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  • 24 de abril de 2017

Algum tempo atrás, trabalhar em um empresa era o mesmo que entrar em uma esteira de produção: todos os colaboradores eram moldados e mudados para trabalharem da mesma forma, com as mesmas habilidades e mentalidades, deixando suas particularidades e aspirações do lado de fora. Ou seja, o sucesso empresarial era baseado na conformidade dos seus funcionários.

Mas com o passar dos anos, essa conformidade foi dando lugar ao conformismo: os colaboradores, desmotivados por essa padronização de mentalidade, tornaram-se meros executores de tarefas, sem questionar porque estavam fazendo o que faziam, ou quiçá, os ganhos que teriam com a execução de uma ação (e como isso se reverteria em resultado para a sua empresa).

Você pode pensar que estou falando de um comportamento do século passado. Mas não, isso é algo que acontece ainda hoje e que, lentamente, vai matar o seu negócio, afinal, como o Edu contou em outro conteúdo, as pessoas são os principais agentes de mudança e crescimento de uma empresa, e o principal alicerce para uma transformação digital de sucesso.

(Se você ficou curioso e quer ler mais sobre o assunto, vou deixar o link aqui: Quais são os talentos e as habilidades necessários para estruturar equipes capazes de transformar digitalmente sua empresa e porque você precisa fazer isso já?)

Conformidade x Conformismo x Consistência

A conformidade, hoje, ainda tem um papel importante dentro das empresas quando nos referimos a processos e procedimentos. É ela que garante que a execução do seu negócio seguirá um padrão estruturado, com qualidade e de forma replicável. Conformidade é o lema quando se trata de processos e procedimentos, mas não deve ser aplicado às pessoas.

Quando pessoas focam apenas na conformidade, sem entender porque estão fazendo o que fazem e sem investir em conhecimento, acabam caindo no conformismo e aí está o grande perigo que você precisa evitar: colaboradores conformistas são incapazes de oferecer soluções ou visões diferentes para tarefas ou problemas do seu dia a dia, propagando uma sensação de inércia, resignação e passividade ao seu redor.

“O indivíduo conformista não acredita na capacidade da superação porque está condicionado a viver sem expectativa de qualquer mudança de vida. O conformista entende que não vale a pena um esforço maior para conseguir um resultado melhor e aceita passivamente a realidade que lhe é imposta em todas as áreas da vida, como se fosse adepto da filosofia cantada pelo sambista Zeca Pagodinho ‘deixa a vida me levar, vida leva eu…’”. Fonte.

O conformismo é mal da maioria das empresas hoje porque impede o crescimento e o desenvolvimento. Como está infectada pelo medo de mudança, sua empresa fica incrustada dentro de si mesma, repetindo os mesmos padrões e problemas, incapaz de acompanhar o mercado e se diferenciar (e talvez seja aquela empresa que ainda bate na tecla de que o digital é passageiro, que já já seus clientes voltam para os meios antigos e os seus resultados voltaram a aumentar 😒).

Mas o que muitos profissionais ainda não entenderam é que é impossível conseguir resultados diferentes quando se faz tudo sempre igual. As grandes e melhores recompensas nunca estarão dentro da sua zona de conforto. E se você não puder surpreender o seu consumidor, a sua concorrência o fará.

Reside em outra palavra com C a melhor resposta para espantar o conformismo: consistência.

A Forbes explica que a consistência é um acordo ou harmonia, que implica compatibilidade entre várias partes. Traduzindo: consistência tem a ver com replicar dentro de casa a mesma experiência que você quer que seus clientes afirmem ter com a sua marca. E isso só acontecerá se os seus colaboradores realmente acreditarem e estiverem comprometidos com a sua empresa e seus objetivos.

Para haver consistência, é preciso haver empoderamento, liberdade e autenticidade. Você precisa garantir que todos dentro da sua equipe tenham livre arbítrio para integrarem quem são ao que fazem e com isso, permitir que eles criem valor próprio para a organização, o que, em troca, traz maior envolvimento, longevidade e impacto. O seu primeiro cliente precisa ser o seu colaborador.

Para ser digital-first, você precisa de um colaborador dissidente construtivo

Empresas que querem ser e crescer digitalmente precisam ter uma cultura onde todos se sintam parte e responsáveis pelos resultados. E dentro desse tipo de organização, não há lugar para excesso de confiança quanto à força competitiva da empresa.

Você nunca pode se confortar que a coisa está boa. Se olhar todas as vantagens competitivas que você tem, elas são todas transitórias. A Kodak achava que tinha a melhor máquina de fotografia, aí a Fuji fez a máquina digital, e agora o celular acabou com a Fuji. É muito bom ser disruptivo e se reinventar todos os dias. Pensar em como posso fazer melhor para mudar a vida do meu cliente”. Fonte.

Anteriormente eu falei sobre fazer a mesma coisa e esperar novos resultados, e é justamente aí que reside a importância da dissidência construtiva dentro dos profissionais.

Toda empresa hoje precisa de dissidentes construtivos (que hoje poderiam ser vistos como os antigos rebeldes): aqueles profissionais que desafiam a conformidade e o conformismo cristalizados nas normas organizacionais para que a inovação e o alto desempenho sejam usados para trazer melhores resultados, abrindo o campo de visão de toda a empresa.

Os diferentes pontos de vista, as provocações de outras gerações, o rompimento de tabus e o questionamento do sucesso precisam ser cultivados pelas empresas digitalmente prontas para um novo mundo competitivo.

A HAVAIANAS não teve medo de mudar e conquistou o mundo

Acho que é difícil haver algum brasileiro que não conheça a marca de sandálias HAVAIANAS.

Criada em 1962 pela Alpargatas São Paulo, a marca brasileira começou produzindo sandálias em borracha com sola bicolor azul e branca combinando com as tiras azuis. Por ter um preço acessível, alta durabilidade e ser confortável, tornou-se uma das peças mais preferidas pelas classes trabalhadoras e um grande sucesso de vendas.

Depois de quase 30 anos de hegemonia, a empresa decidiu inovar e mudou completamente o seu foco. Por anos conhecidas como “chinelos de pobre”, a HAVAIANAS decidiu reinventar o seu produto tradicional (investindo em novas estampas, cores, modelos e até outras peças) e construir um novo diferencial competitivo para conquistar novos consumidores e fidelizar os antigos, oferecendo novas opções.

Essa mudança de posicionamento foi crucial para que ela se tornasse a grande marca internacional do Brasil. Hoje, a marca HAVAIANAS está presente em 117 países, com mais de 210 milhões de peças vendidas por ano (com chinelos que vão de R$ 9,90 até R$ 500) e é consumida por desde o seu público inicial – o trabalhador de classe baixa brasileiro, até consumidores da alta costura parisiense.

Agora vamos pensar juntos: se a Alpargatas São Paulo estivesse apenas preocupada em viver na conformidade do mercado onde já estava estabelecida e no conformismo do sucesso que tinha alcançado, será que ela teria sobrevivido e se tornado a marca que é hoje?

“Tenha claro o seu core business e utilize suas diversas capacidades para criar valor para sua empresa. Um grande exemplo é o Google. Cada um de seus negócios está muito bem integrado ao seu core business de busca e anúncios. Seus produtos e serviços têm como objetivo obter mais e mais pessoas para o ecossistema Google”. Fonte.

Mudanças podem dar medo, mas conformismo causa a morte da sua empresa, por melhor que seja o seu produto. Para ser verdadeiramente digital, você precisa estar pronto para se reinventar e oferecer um novo diferencial competitivo antes que o mercado dê sinais de que precisa disso.

E a melhor forma de conseguir isso é investir tempo e foco na preparação da sua estratégia de Marketing. Minha última dica, ou convite, para te ajudar nessa jornada é justamente sobre isso, com um conteúdo escrito pela Lilian que também fala sobre sobrevivência: O preço de não executar sua estratégia de marketing: isso vai impactar a sobrevivência do seu negócio.

O que você está fazendo para não se acomodar?

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